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Em Piraí, tecnologia e educação são instrumentos de inclusão social e de desenvolvimento humano

Em parceria com a Cisco, prefeitura de município do Rio de Janeiro cria uma das primeiras cidades inteligentes no Brasil tendo a educação como carro chefe.

Em 1997, a Prefeitura de Piraí, municipio do estado do Rio de Janeiro, com 23 mil habitantes, contava apenas com três computadores para dar conta do dia a dia de todas as secretarias. O municipio também enfrentava uma crise econômica. E já estava claro que se precisava encontrar meios para a cidade dar um salto de desenvolvimento.

Mas uma crise pode se transformar em oportunidade. Que se traduziu na criação de um projeto para gerar novos postos de trabalho, tendo desde a sua concepção a visão da necessidade da mudança teonológica para aprimorar a gestão administrativa do município e melhorar o dia a dia da população, incluindo o acesso à saúde e educação.

Em parceria com universidades, começou então a ser desenvolvido o Plano Diretor de Informática. Franklin Dias Coelho, a época na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Maria Helena Cautiero Horta Jardim, docente da UNB (Universidade de Brasilia) naquele momento, participaram desde o início de todo o projeto. O Piraí Digital tomou dimensões muito maiores do que as previstas inicialmente - cantadas por Gilberto Gil, que assume que a experiência de Piraí o inspirou no Ministerio da Cultura, e, claro, motivo de orgulho de toda a população local, como mostra, por exemplo, a escolha de “Piraí’ Digital” como tema de desfile do Bloco Barão de Piraí no carnaval de 2014, quando o projeto completou 10 anos.

De três computadores para sua administração até se tornar uma das primeiras cidades inteligentes do país, que abraçou a educação como carro ohefe, o caminho de Piraí não foi fácil.

“Desde o início”, diz Maria Helena, “trabalhamos em paralelo o projeto de rede, a capacitação de funcionários da Prefeitura e o projeto educacional. O computador na escola é consequência do projeto de mudanca de paradigma na educação que usa a linguagem da tecnologia, não a encapando apenas como uma nova ferramenta para antigos métodos. Precisávamos ter conectividade, mas nada disso adiantaria se não houvesse uma apropriação por parte da comunidade escolar da questão da tecnologia educacional”.

A solução

O projeto educacional, em Piraí, não se dissociou de um planejamento de desenvolvimento e “digitalização” da cidade.

Era preciso, em primeiro lugar, buscar parceiros que contribuissem, principalmente, com a capacitação de pessoal para garantir a eficiência na informatização de toda a rede escolar. Cada escola ganhou um laboratório, com um servidor, dezenas de equipamentos, e se tratava de fazer essa estrutura funcionar bem, e continuamente. Junto com a Cisco, a Prefeitura de Piraí criou o projeto Aluno Tutor, que oferecia curso de formacão com bolsa para os selecionados.

Nesse cenário começaram a surgir as oportunidades para os moradores de Piraí. Osni Silva, hoje Secretário de Ciência e Tecnologia do município, então técnico em Processamento de Dados, cresceu junto com o projeto e acabou sendo responsável pelo desenho do Sistema que Ievou conexão a todas as escolas, permitindo que Piraí se integrasse ao programa Um Computador por Aluno (UCA) do Governo Federal.

“Nos precisávamos encontrar uma solucão para melhorar a cobertura dentro das salas de aulas para viabilizar o projeto UCA. Encontrei casos de sucesso de uso da tecnologia de rádio com cabos irradiantes para disseminação e distribuição homogênea do sinal. Em parceria com a Cisco e a Intel, implantamos o sistema, inédito em escolas no Brasil”, diz Osni.

Resultados

Resolvida a questão da infraestrutura técnica, a educação nas escolas de Piraí tornou-se um projeto de referência em que a tecnologia é aliada no desenvolvimento de competências e habilidades. Na cidade, não existem escolas particulares, já que o ensino público - 21 escolas municipais e 3 estaduais - atende a população com qualidade.

Esse projeto é uma prova de que a tecnologia aliada a educação é capaz de transformar a Vida de milhares de pessoas, trazendo desenvolvimento econômico e social”, diz Ricardo Santos, que coordena na America Latina as atividades da Cisco voltadas para o setor de educação.

O projeto Piraí Digital, unindo os governos municipal, estadual e federal, e quatro Ministérios - Cultura; Comunicações; Ciência, Tecnologia e lnovação; Educação - é referência em políticas públicas, tendo o binômio tecnologia e educação como instrumento privilegiado de inclusão social e desenvolvimento humano, explica Maria Helena.

lnicialmente, o projeto Piraí Digital levou a informatizacão, com laboratorios e telecentros a todas as escolas - e, com isso, surgiu um novo projeto educacional. “Convidamos todos os pais dos alunos para conhecerem o novo projeto. Mostramos como a sala de aula iria se transformar num espaço de colaboração, dando ao aluno mais autonomia e respeitando os tempos de aprendizagem de cada um”, conta ela.

Novas metodologias de ensino, como a flipped class, - a “classe invertida” em que o conteúdo e oferecido ao aluno antes de ele chegar a escola - exigem um novo desenho da sala de aula, com as crianças em circulo, discutindo entre elas, sem a antiga formação em fileiras de carteiras escolares, “característica da sociedade industrial”, observa Franklin.

Piraí foi uma das cidades selecionadas pelo Governo Federal para fazer parte do programa UCA (Um Computador por Aluno) e hoje, os 6 mil estudantes do ensino básico contam com um tablet para ajudar nas lições escolares.

“Fizemos reuniões com os pais, para saber se eles queriam que os filhos levassem os tablets para casa e hoje todos levam”, lembra Maria Helena. “É interessante porque os alunos acessam de casa o ambiente de aprendizado virtual e já conferem o material enviado pelos professores. Mas, como sempre, a questao não é apenas colocar o computador na escola e um tablet na mão do aluno. E um projeto muito maior, inserido na ideia de cidade digital”, ressalta Maria Helena.

Com todas essas mudanças, a evasão escolar caiu mais de 90%, praticamente não existem mais problemas de indisciplina.

As “novidades”, é claro, extrapolaram em todos os sentidos as paredes da escola. No bairro popular Casa Amarela, pais de alunos, preocupados, foram procourar a diretora da escola para saber o que estava acontecendo, já que seus filhos chegavam em casa falando e cantando numa lingua muito estranha. A explicação? As aulas de inglês, idioma aprendido de forma lúdica, com música e dança, fruto de uma parceria com a Fundação Sequoia.

E a conectividade também rende inovações bem “apetitosas”, como as receitas acessadas na lnternet/Piraí Digital pelas merendeiras, transformadas em refeições mais nutritivas e atraentes, aprovadas pelas crianças nas escolas.

Além das mudanças no ensino básico, a Rede Piraí Digital também permitiu a implementação de um programa de educação a distância para o ensino superior. O Centro de Educação a Distância – um consorcio com as universidades públicas do Rio de Janeiro – oferece cursos de licenciatura em Matemática, Letras, História, Pedagogia,Computação, Administração de Empresas, Engenharia de Produção e Química.