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Os projetos digitais de um gigante chamado São Paulo

Os projetos digitais de um gigante chamado São Paulo

Célio Bozola, presidente da Prodesp, revela: Estado tem 20 projetos prioritários dentro da estratégia de transformação digital

Economia mais pujante do País, São Paulo não está alheio ao processo de transformação digital. Ao contrário. Com PIB de mais de R$ 2 trilhões em 2016, segundo o IBGE, o Estado possui 20 ações operacionalizadas pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), para melhorar a qualidade de vida dos quase 45 milhões de habitantes. Célio Bozola, presidente da empresa de economia mista (uma sociedade anônima fechada), comenta os projetos em desenvolvimento e explica como a tecnologia melhora a qualidade de vida do cidadão e aumenta a eficiência do Estado, seja na prestação de serviço ou na governança interna, além de impactar a redução de custos. Acompanhe a entrevista concedida na sede da Prodesp, em Taboão da Serra.

Cisco Live Magazine: A Prodesp empreendeu várias iniciativas em 2016/2017. Existe alguma prioridade?

Célio Bozola: Há cerca de dois anos nós formalizamos um conjunto de projetos que chamo de estruturantes. São 20 projetos que decidimos priorizar.

O que são projetos estruturantes?

Bozola: São aqueles que possibilitam ganho de produtividade, de modo que as Secretarias possam executar mais com menos e prestar melhores serviços ao cidadão.

Estes 20 projetos atendem a todas as Secretarias?

Bozola: Selecionamos 3 projetos da Secretaria da Educação; 3 projetos da Saúde; 4 da Secretaria de Segurança; um da Secretaria de Agricultura; 3 projetos da Secretaria de Governo; e outros que são horizontais, que atendem a todas as Secretarias.

Recentemente vocês colocaram em operação um serviço de voz sobre IP. A iniciativa é parte desses 20 projetos?

Bozola: É um dos projetos horizontais. Temos a Intragov e a Intragov VoIP. A Intragov é a rede de dados do Estado de São Paulo. Um projeto estruturante, com o qual padronizamos a rede para ganhar eficiência e obter economia de custo. Todos os órgãos usam a Intragov, que oferece serviços de dados e de conexão à internet. O Intragov VoIP ainda está em processo de consolidação, mas tem o objetivo de reduzir os custos com serviços de voz e também de entregar novos recursos de colaboração.Vamos fazer o mesmo com os sistemas de mobilidade, em uma iniciativa que deve ser contratada ainda em 2018.

Qual é a economia prevista?

Bozola: Com o Intragov VoIP estamos falando em uma economia de R$ 30 a 40 milhões ao ano.

De onde surgiu esta necessidade?

Bozola: Da constatação de que o governo gasta muito com telefonia, gera muito trabalho de manutenção e entrega pouca facilidade. O pessoal quer facilidade e mobilidade para se comunicar. Rompemos esta barreira.

Sob a ótica do governo, qual projeto você considera mais desafiador?

Bozola: Um outro projeto estruturante é o sistema de recursos humanos do Estado. Já fazemos o sistema de folha de pagamento dos quase 600 mil servidores e agora estamos fazendo um sistema de RH também para todo o estado. Este sistema visa acompanhar toda a vida do servidor, desde a contratação, a evolução da carreira dele, até a aposentadoria.

E na área de mobilidade, quais são as iniciativas?

Bozola: Outro sistema que é mais ou menos horizontal é o SP Serviços, um agregador de aplicativos (43 apps do governo de São Paulo) que o cidadão pode baixar no smartphone para ter todos aos serviços automaticamente. Por exemplo, agendar uma ida ao Poupatempo no app. Também tem o app do Detran, com cerca de 8 milhões de consultas/ mês, que reúne uma série de serviços, como a segunda via da CNH. São serviços que o Estado não provia ao cidadão e que passam a ser oferecidos a um grande número de pessoas, a um custo baixo.

Vocês têm metas para as iniciativas digitais?

Bozola: Temos isso muito bem mapeado no Poupatempo (serviço administrado pela Prodesp) que tem 72 postos. Agora estamos na 2ª geração. Estamos estruturando melhor as funções e apps para oferecermos mais serviços. No portal do Poupatempo já é possível solicitar a 2ª via de documentos pessoais e no futuro será possível inclusive acompanhar o trânsito do documento até a entrega pelos Correios.

Como o Poupinha está ajudando nessa questão do atendimento?

Bozola: O Poupinha é um chatbot (um robô) instalado no Portal e na Página do Poupatempo no Facebook. Ele fornece informações ao cidadão sobre os documentos necessários para o serviço que ele busca e também faz o agendamento. Começou aprendendo, porque é baseado em inteligência artificial, e está indo excepcionalmente bem. Em novembro fez 320 mil agendamentos.

Vocês têm alguma métrica de como o Poupinha começa a desafogar os canais de atendimento?

Bozola: O Poupinha e os agendamentos pelo portal cresceram. Também temos os totens em diversas unidades do Poupatempo, nos quais o cidadão pode fazer agendamento ou ter acesso a alguns serviços, como atestados de antecedentes. Com isso, os agendamentos pelo call center zeraram e os presenciais chegaram perto de zero. Tínhamos uma estrutura grande de call center, que foi desligada agora em novembro e voltará totalmente eletrônica, apenas para oferecer algumas informações. Só aí economizamos cerca de R$ 2 milhões por mês. Outro projeto que entregamos agora no início do ano é o Poupatempo do Empreendedor. Um portal onde quem quer abrir empresas pode solicitar as licenças de funcionamento de seis órgãos – Jucesp, Prefeituras (270 das 645 Prefeituras do Estado), Corpo de Bombeiros, Cetesb, Vigilância Sanitárias e Secretaria da Agricultura.

Vocês têm alguma iniciativa de big data?

Bozola: Na Secretaria de Segurança implementamos o Detecta. Estamos integrando uma série de bancos de dados da Secretaria e do Detran, dos radares e câmeras de leitura de placas. Este talvez seja um dos maiores bancos de dados que se tem notícia. Hoje devemos estar lendo 16 milhões de placas por dia e somamos um banco de dados com mais de 5 bilhões de placas lidas nos últimos 2 anos. Se um carro for roubado e passar por uma câmera ou radar integrado ao sistema, um aviso será emitido em tempo real.

Alguma inovação nos sistemas das delegacias?

Bozola: Registramos cerca de 3,8 mil boletins de ocorrência (BOs) por ano. Destes, 1,2 milhão são feitos na delegacia eletrônica, mas percebemos que outros 800 mil também podem migrar para este meio, e estamos melhorando o site para desafogar as 1700 delegacias. A ideia é também permitir que os BOs sejam registrados pelo celular.

Qual é a inovação empreendida na área da saúde?

Bozola: Estamos automatizando todo o ciclo de atendimento ao paciente em 46 hospitais - a entrada e a saída, leito, UTI, procedimentos, medicamentos e o faturamento junto ao SUS. Iniciamos há pouco mais de 5 anos e devemos concluir no final de 2019.

Na Secretaria da Saúde também estamos automatizando toda a cadeia de suprimentos, principalmente a distribuição de medicamentos de alto custo. Melhorando a gestão, podemos fazer controle de demanda, validade do medicamento e gestão de estoque.

Quais são as novidades preparadas para a área de educação? Bozola: Estamos melhorando o sistema Secretaria Escolar Digital, uma automação básica da grade escolar, professores, notas e frequência, que também tem um app. São 5300 escolas, 4 milhões de alunos, 230 mil professores. Este sistema já está em funcionamento e agora estamos fazendo melhorias.

O governador liberou o uso de celulares na escola, como está este projeto, e também como está a iniciativa de digitalização do conteúdo?

Bozola: Na gestão do ex-secretário Herman (Herman Jacobus Cornelis Voorwald) fizemos um projeto de upgrade dos links de todas as escolas. Quase todas as 5300 escolas têm laboratório de informática, e muitas estão no processo de instalação de redes Wi-Fi.

Também participamos da revisão do primeiro projeto de digitalização do livro de matemática. Mas as iniciativas pedagógicas são da Secretaria.

Para finalizar, qual é a infraestrutura envolvida nestes projetos?

Bozola: Temos uma infraestrutura bastante robusta com o Data Center Prodesp e a rede Intragov.