Artigos de opinião

Se o IPv6 não está na sua agenda, coloque-o

Paulo Valente, Systems Engineer
pavalent@cisco.com

 

Deverá a migração para o IPv6 ser vista pelas equipas TIC das empresas com a mesma preocupação e ansiedade que a problemática do ano 2000 (o bug do milénio), com a agravante de não ter data marcada, ou, pelo contrário, o não ter data marcada permite uma não obrigatoriedade e um adiamento ad eternum dessa mesma migração? Em tempos de reconhecido abrandamento económico, a via laissez faire, na verdadeira assumpção irónica da expressão, parece a mais apetecível. Cuidado, no entanto, com os facilitismos.

 

No que diz respeito ao Y2K, é um facto que as maiores preocupações não se concretizaram. Há quem diga que uma das razões para tal foi o investimento pró-activo feito que evitou males maiores. Há no entanto, por parte da comunidade TIC, a sensação de um certo exagero nas previsões catastróficas.

 

A génese da migração para o IPv6 não está no entanto num bug, mas na necessidade de proporcionar mais serviços a cada vez mais pessoas e máquinas, através de cada vez mais dispositivos. Jon Postel disponibilizou há mais de 30 anos o documento que deu origem ao IPv4.  O impressionante sucesso do IPv4 nas redes de comunicações assegura-lhe uma grande longevidade, mas não interferiu com a permanente inquietação característica dos espíritos inovadores: trabalho de desenvolvimento numa nova geração de IP existe desde 1992.

 

Na sua globalidade a comunidade TIC acredita que a co-existência dos mundos IPv4 e IPv6 será uma realidade por alguns anos, mas a escassez de novos endereços IPv4 deverá acontecer muito antes. Na Europa, muito provavelmente, já no próximo ano.

 

O que fazer? Se o IPv6 não está na sua agenda coloque-o. Se gosta de datas com simbolismo para inicar projectos sugiro-lhe o próximo dia 8 de Junho para esta. É o dia mundial do IPv6 e pode encontrar toda a informação em: http://isoc.org/wp/worldipv6day/.  Olhe a migração para o IPv6 como uma oportunidade, mesmo em tempos de crise: inventariar toda a sua infraestrutura TIC permitir-lhe-á uma análise criteriosa ao estado actual da mesma. Estamos numa área com elevados níveis de inovação. Existem novas formas, mais eficientes, de fazer o que faz hoje em dia, e, mais importante, que lhe permitem fazer coisas novas. As possibilidades são imensas. Se é responsável pelas TIC na sua empresa não pode ficar indiferente: desafie os seus colaboradores. Se contribui com o seu trabalho nesta área desafie a sua chefia. Desafie o seu operador de telecomunicações: é ele que o levará a este novo mundo. É um caminho que não pode deixar de fazer, e hoje é um excelente dia para o começar a preparar.

 

(Escrevo este artigo no dia 12 de Maio. No início deste ano começou a circular na Internet que o auto-didacta Raffaele Bendandi, conhecido em Itália pelas suas previsões de sismos no início do século XX, tinha previsto um terramoto em Roma para ontem, 11 de Maio. A base científica para tal previsão é obviamente desconhecida, a notícia foi desmentida pelos súbditos de Bendandi mas, não obstante, milhares de pessoas sairam de Roma nestes dias. Você, que faria?).

 

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