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Cisco compra IronPort

in Semana Informática, 15 Janeiro 2007

A aquisição, orçada em 630 milhões de euros, deve estar concluída no final do próximo mês de Abril, data que coincide com o fecho do terceiro trimestre fiscal da Cisco

O gigante norte-americano anunciou ter chegado a um acordo com a IronPort, empresa especializada em soluções de segurança para correio electrónico, por um valor de 830 milhões de dólares (630 milhões de euros). A transacção será feita com uma combinação de dinheiro e troca de acções, segundo a Cisco em comunicado de imprensa.

Com esta compra, a empresa pretende ampliar e melhorar as suas soluções, introduzindo os produtos especializados em aplicações contra o spam e o spyware da IronPort. A companhia vê com enorme potencial as soluções de protecção de e-mail e de mensagens corporativas quando integradas com a plataforma Cisco Self-Defending Network.

O vice-presidente da Cisco, Richard Palmer, referiu que «a IronPort é conhecida pelos seus sistema de filtros de correio electrónico». Segundo este executivo, existe «um enorme potencial, capaz de melhorar substancialmente a protecção das mensagens de e-mail dos utilizadores integrando as ferramentas e a tecnologia da IronPort na Self-Defending Network framework da Cisco».

Com esta compra, a companhia, sedeada na Califórnia, consegue melhorar a sua linha de produtos de switches e routers ao mesmo tempo que permite entrar numa nova área de negócio a das soluções de segurança para a Internet. Trata-se de um segmento que, de acordo com os dados dos analistas de mercado, está avaliado em 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,5 mil milhões de euros) e apresenta fortes taxas de crescimento. Por esta razão, a Microsoft também apostou recentemente nesta área de negócio.

Só no passado mês de Novembro, o spam deverá ter representado entre 54% e 85% da totalidade das mensagens enviadas. Um estudo encomendado pela Comissão Europeia revelou que, no passado ano, dos e-mails que circularam nos países da União Europeia, entre 50 e 80% foram spam, o que motivou a comissária europeia da Sociedade de Informação, Viviane Reading, a pedir aos Estados-membros que «intensificassem os mecanismos de combate a este flagelo, que passaram de uma preocupação para se transformar numa actividade fraudulenta».

Esta operação vai permitir à Cisco integrar um conjunto de ferramentas e tecnologias da IronPort no seu portfolio. Possui um sistema operativo, o AsynchOS, e uma rede de monitorização de tráfego Web e de e-mail SenderBase. Segundo os dados apresentados pela companhia, as suas ferramentas podem identificar até 80% do spam, tendo como base o historial do emissor de cada mensagem.

A IronPort investiu noutras áreas da segurança na Internet, além da área do spam, ao entrar em sectores como os de combate ao spyware, da inspecção do conteúdo do tráfego Web, da encriptação de dados e da conformidade das empresas com as normas e standards definidos internacionalmente.

De referir que a IronPort adquiriu, no passado mês de Novembro, a PostX, uma empresa especializada em encriptação de correio electrónico, e, em Outubro, tinha anunciado um acordo de entendimento com a empresa de antispyware Webroot, para integrar o Webroot RockSafe E1000 SDK com as S-Series Web Security Appliances da IronPort.

No que diz respeito a Portugal, a IronPort não possui representação directa, estando representada por parceiros. O Semana contactou algumas empresas para obter comentários a este negócio e para saber quais as implicações que esta operação poderá ter no nosso mercado.

Paulo Costa, country manager da Magirus Portugal, distribuidor exclusivo da IronPort, afirma que o anúncio foi recebido com «serenidade e satisfação». Diz este responsável que a informação do negócio chegou no próprio dia do anúncio «pelos headquarters da Alemanha que davam conta da intenção de compra». Paulo Costa faz questão de sublinhar que a Ironport é um dos principais fabricantes nacionais e que «as suas soluções de segurança de conteúdos são consideradas as melhores do mercado, o que tem proporcionado a conclusão de projectos muito interessantes».

No que concerne à relação institucional entre a Cisco Portugal e a Magirus, o country manager da subsidiária portuguesa salienta que as expectativas são elevadas, uma vez que «o facto de conhecer bem a estrutura da Cisco a nível local e ibérico aumenta o grau de expectativa».

Paulo Costa confirmou ao Semana que a informação que a empresa recebeu da Ironport é que tudo continua inalterável, e que esta aquisição não mudará o modelo de negócio nos próximos meses.

«O que está a acontecer no mercado da segurança informática é um reflexo do que as organizações estão a pedir aos fornecedores.» A citação pertence a Marcos Santos, responsável pela área de segurança e plataformas da Microsoft Portugal. Segundo ele, as organizações procuram soluções que sejam «o mais completas possível e que incluam de raiz as funcionalidades de segurança que estas necessitam, sem terem que adquirir soluções adicionais ou complementares». Nesse sentido, os fornecedores de soluções procuram completar e complementar a sua oferta com aquisições, licenciamento de tecnologia ou desenvolvimento próprio.

«As recentes aquisições da Microsoft, da IBM e da Cisco só vêm provar que a segurança é uma preocupação crescente nas organizações e que existe uma grande aposta na prevenção de situações», advoga Marcos Santos. Este executivo acrescenta ainda que, para além das provas já dadas anteriormente pelas soluções que foram adquiridas pelos fornecedores mencionados, o grande desafio agora é «não só a integração das soluções adquiridas com as soluções que já possuíam, mas também a integração destas soluções com a realidade das organizações». O responsável pela área de segurança e plataformas da Microsoft Portugal acredita que «quem melhor conseguir esta tarefa é aquele que maior vantagem competitiva terá neste mercado».

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