| Em setembro de 2000, a Cisco associou-se ao National Center for Learning Disabilities (NCLD) para garantir que todos os estudantes com necessidades especiais (LD) tivessem acesso total ao currículo do Programa. O NCLD revisou o currículo, fez recomendações para a melhoria do material e para o apoio e capacitação de instrutores. Como resultado, a equipe responsável do currículo adicionou componentes ao processo de desenho de todas as atualizações do currículo e incluiu uma série de videos Cisco Instructional Best Practices. (Melhores Práticas de Instrução da Cisco) Em 30 de Outubro de 2001, NCLD lançou um site chamado Living with LD como resultado da sua parceria com a Cisco. O site cobre uma série de pontos: provas, opções educacionais e de carreira, estudo, dicas para entrevistas de trabalho e muito mais. Cisco recrutou colaboradores através do Project Hire, uma organização não-lucrativa que ajuda as pessoas com necessidades especiais a obter trabalhos competitivos. Segundo dados apresentados pelo IBGE no censo de 2004, o Brasil possui cerca de 24 milhões de portadores de deficiência, o que corresponde a 14.5% da população. Entretanto, a maioria deste grupo permanece à margem da educação profissinalizante e, consequentemente, excluídos do competitivo mercado de trabalho. Por um lado, a grande maioria das instituições tradicionais de apoio ao deficiente estão limitadas a oferecer cursos básicos à comunidade de deficientes e, por outro lado, embora a lei brasileira determine que as empresas destinem um percentual de seus postos de trabalho a portadores de deficiência, elas alegam que o mercado carece de força de trabalho qualificada para os cargos existentes. As iniciativas públicas e governamentais pouco têm contribuido para modificar essa situação e, assim, o cenário brasileiro é composto por deficientes com formação profissional inadequada e em desigualdade de condições para conquista de emprego. Em uma iniciativa pioneira no Brasil, a NCE/UFRJ e a Cisco Systems uniram esforços para incentivar a inclusão da Pessoa Portadora de Deficiência (PPD) no mercado de trabalho: utilizando o curso de redes do Programa Cisco Networking Academy, o Projeto Habilitar foi desenvolvido em uma turma piloto, composta por 6 deficientes visuais (4 com nenhuma visão e 2 com visão sub-normal) e 6 deficientes motores graves (com diferentes níveis de tetraplegia), para capacitá-los em uma profissão de alto reconhecimento no mercado e tornar possível o desenvolvimento de uma metodologia de ensino, bem como a verificação das necessidades de desenvolvimento ou adaptação de ferramentas de apoio à atividade de ensino. Desde 1993, o Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ) realiza atividades de ensino e pesquisa voltadas a portadores de deficiência física visual e motora. Esse trabalho é focado basicamente no desenvolvimento de ferramentas que possibilitem ao deficiente físico o acesso à informação, e dessa forma promover uma perspectiva de reintegração social. Dentre as ferramentas desenvolvidas, destacam-se : o DOSVOX , que utiliza síntese de voz para traduzir ao deficiente visual o que está aparecendo na tela do computador e o MOTRIX que provê um acesso ao computador através de comandos de voz fornecidos pelo deficiente motor. Para que o Programa Cisco Networking Academy pudesse ser aplicado segundo as necessidades da turma piloto, foram efetuadas análises e estudos relacionados ao uso e adequação destas ferramentas e metodologias aplicadas a PPDs e a professores envolvidos na atividade de ensino. Foi fundamental o empenho dos profissionais e professores do NCE/UFRJ na realização de estudos para integração das ferramentas de acessibidade ao Programa, como também no desenvolvimento da metodologia. Como o curso do Programa não é direcionado nem projetado para deficientes, não era possível até o momento, o ingresso de um indivíduo portador de deficiência. Houve, portanto, a necessidade não só de adaptar, mas também de desenvolver uma série de ferramentas que pudessem proporcionar o acesso do deficiente ao curso:
Todas as ferramentas desenvolvidas para os deficientes visuais tiveram versões operadas por comando de voz destinadas aos deficientes motores, Ainda em relação ao deficiente visual, foram desenvolvidas soluções criativas e de baixo custo para explorar, ao máximo, a sua capacidade tátil.: para representar uma topologia física de rede, foi utilizada uma corda fina para representar o meio físico entre os equipamentos e botões de distintos tamanhos para representar os diferentes equipamentos. Um outro tratamento foi dado às figuras contidas no material do curso. Até o presente momento a heterogeneidade da turma em sala de aula, composta por indivíduos com dois tipos distintos de deficiência, tem tido resultados excelentes: enquanto o deficiente motor contribui com a sua visão, o deficiente visual ajuda com a sua mobilidade. O desempenho acadêmico dessa turma está acima do esperado para uma experiência piloto, comprovando a adequação e eficácia quanto aos métodos e ferramentas desenvolvidas. E para que não restem dúvidas quanto ao sucesso dessa inciativa, as notas obtidas nas avaliações têm sido excelentes quando comparadas a uma turma de não deficientes no mesmo período e utilizando os mesmos instrutores. Para mais informações, acesse o site: Núcleo de Computação Eletrônica (NCE/UFRJ) - Projeto Habilitar Ou consulte: |





